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Candidatos a prefeito no 2º turno não participam de entrevista sobre Mobilidade Urbana

Dos quatorze candidatos do primeiro turno, apenas quatro participaram parcialmente da campanha nacional coordenada pela Acipe em Petrópolis.



Neste domingo (29), as eleições municipais se encerram. No segundo turno do pleito, ainda concorrem ao cargo de chefe do executivo municipal o atual prefeito Bernardo Rossi (PL) e o ex-prefeito Rubens Bomtempo (PSB). À assessoria das duas campanhas foram encaminhados pela Associação dos Ciclistas de Petrópolis (Acipe) um formulário com perguntas sobre mobilidade sustentável, bem como uma Carta-Compromisso, que fazem parte da campanha nacional Mobilidade Sustentável nas Eleições 2020.

A campanha é coordenada pela Associação pela Mobilidade à Pé - Cidadeapé, pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - Idec e pelos projetos Como Anda e União de Ciclistas do Brasil - UCB. Foram ouvidos candidatos às prefeituras de diversas cidades brasileiras sobre políticas de aumento da infraestrutura cicloviária e de mobilidade a pé das cidades, entre outros.


A Acipe, que integrou a campanha, encaminhou perguntas elaboradas por especialistas e ciclistas para os quatorze candidatos à Prefeitura de Petrópolis, dos quais apenas quatro responderam à entrevista sobre temas como Acessibilidade, Ciclomobilidade e Transporte Coletivo. Pela ordem de envio das respostas, participaram Alexandre Gurgel (Cidadania), Leandro Azevedo (PSD), José Luiz Lima (Psol) e Lívia Miranda (PCdoB). Dos candidatos ao segundo turno, nenhum enviou as respostas (até o momento desta publicação). Com relação à Carta-Compromisso, surpreendentemente nenhum candidato ao Executivo assinou o documento até o momento (ainda que a assessoria do Rubens Bomtempo tenha informado a assinatura, mas não oficializou a participação até o fechamento desta matéria).


As repostas recebidas podem ser conferidas ao clicar nos nomes dos candidatos abaixo:


Alexandre Gurgel (23 / CIDADANIA)

Leandro Azevedo (25 / PSD)

José Luiz Lima (50 / PSOL)

Lívia Miranda (65 / PCdoB)



Cabe ressaltar que a mobilidade urbana, debate que se estende muito além da ciclomobilidade, tem sido um dos assuntos mais debatidos nas principais cidades do mundo, dado o crescimento populacional acompanhado do crescimento da frota de veículos e a necessidade de obras de infraestrutura viárias. Há um ano, a Acipe trouxe o tema para debate, ressaltando os números do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro - Detran-RJ, que mostram o crescimento da frota de veículos de Petrópolis, na última década, em mais de 46% entre os carros de passeio e 67% entre as motos.





Em Petrópolis, há números que mostram o impacto do crescimento da frota na economia local. Um estudo realizado pela federação de indústrias do estado, Firjan, em 2016 (com dados de 2013), trouxe uma cifra alarmante: um prejuízo anual de R$ 398 milhões. Deslocamento lento que impacta diretamente no tempo médio que o trabalhador leva no trajeto de ida e volta para casa. Duas horas. Quem mora nos distritos mais distantes, como a Posse, quatro horas.

Em abril do ano passado, a prefeitura apresentou o Plano de Mobilidade Urbana - PlanMob, como exigência da lei federal 12.587/12 que instituiu a Politica Nacional de Mobilidade Urbana, como instrumento de desenvolvimento urbanos nas cidades de todo o país. A lei tem como "objetivo contribuir para o acesso universal à cidade, o fomento e a concretização das condições que contribuam para a efetivação dos princípios, objetivos e diretrizes da política de desenvolvimento urbano, por meio do planejamento e da gestão democrática do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana". E é fundamentada em princípios como: "acessibilidade universal; desenvolvimento sustentável das cidades, nas dimensões socioeconômicas e ambientais; segurança nos deslocamentos das pessoas; prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado; integração entre os modos e serviços de transporte urbano;" entre outros.


No plano municipal, que deverá ser executado pelo vencedor do pleito de amanhã, nos próximos quatro anos (as diretrizes e ações do PlaMob englobam o período de 2019 a 2029), são contemplados (de acordo com o próprio município) "transportes motorizado e não motorizado, transporte coletivo e privado de passageiros, transporte de cargas e serviços, circulação de pessoas e veículos". Apesar disto, o termo PlanMob não é mencionado no plano de governo dos candidatos do segundo turno.


É fundamental para o eleitor, que irá às urnas amanhã escolher seu representante, saber o que ele apresenta de propostas sobre uma questão tão importante para o desenvolvimento da cidade, o combate à poluição gerada pelos veículos motorizados e a acessibilidade a diferentes modais, o que inclui a bicicleta. A Acipe lamenta que tão poucos candidatos tenham respondido às perguntas essenciais encaminhadas sobre mobilidade urbana, a não assinatura da Carta-Compromisso e à insuficiente atenção dada ao PlanMob nos planos de governo.